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É um espaço bem pequeno. São apenas 140 caracteres. Mas já basta para produzir, enviar e receber informações; atualizar as fofocas do dia a dia; contar piadas; jogar conversa fora; fazer perguntas e responder a dúvidas; divulgar o blog; fazer amizades; colocar a boca no trombone; fiscalizar o governo… Não há exemplos e reticências suficientes que consigam abranger todos os usos que o Twitter ganhou e ganha a cada dia.
Com cerca de 6 milhões de usuários no mundo, o serviço tornou-se “o” queridinho dos usuários hardcore de internet e da mídia em geral. Após crescer 900% em um ano, o Twitter, que estreou em 2006, tornou-se o grande destaque da rede mundial neste início de 2009. Pelo menos no quesito barulho.
É figurinha onipresente em publicações como New York Times, The Guardian, aqui no Link e em blogs famosos como Techcrunch e BoingBoing. Recebeu investimentos de US$ 20 milhões em época de crise. Até o Facebook, 25 vezes maior em audiência, já que não conseguiu comprar o serviço – o que o Google também tenta –, anunciou ferramentas inspiradas no Twitter, estreiam nesta quarta-feira.
Enquanto isso, aumenta o número de personalidades presentes no serviço. O presidente dos EUA, Barack Obama foi o precursor, ao criar seu perfil em 2007 para divulgar a sua campanha à Casa Branca. Mas já entraram para a lista Demi Moore, Britney Spears, Paulo Coelho, Michael Phelps, etc. Os maiores jornais, blogs, portais, emissoras de TV também.
Todo esse barulho tem explicação: “Os influenciadores da internet – os early adopters – abraçaram o Twitter”, explica a pesquisadora em redes sociais da PUC de Pelotas Raquel Recuero, que, com a também pesquisadora da UFRGS Gabriela Zago, fez um estudo sobre a adoção do Twitter no País. “É um nicho ainda, usado por jornalistas, blogueiros, publicitários e gente de informática. Não é ainda um fenômeno de massa.”
O Twitter é de difícil definição – mescla rede social, SMS, blog, RSS e Messenger. Com um layout simples, permite postar – ou “twittar” – textos de até 140 caracteres. E isso pode ser feito tanto pelo site oficial como por aplicativos instalados no navegador e em redes sociais e, um dos maiores atrativos, por celular (veja nas páginas L4 e L5). Quem quiser saber o que você “twitta” pode selecionar “seguí-lo” e, a partir daí, receberá as atualizações que você fizer em 140 caracteres. (abaixo, o Link traz uma relação apurada junto a alguns dos principais “twitteiros” no Brasil para indicar quem vale a pena ser seguido).
Quando foi criado, em 2006, o intuito do serviço era que as pessoas respondessem à pergunta “o que você está fazendo agora?”. Daí, quem se interessasse, poderia, por exemplo, saber que você saiu para tomar sorvete, por exemplo. Mas o serviço foi para outro lado. Um dos criadores, Evan Williams, inclusive, já anunciou que a pergunta deve mudar em breve. A maioria das pessoas – 62%, segundo a pesquisa de Raquel e Gabriela – prefere “twittar” informações noticiosas.

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“Elas mandam links com notícias”, explica a jornalista Raquel Camargo, do blog TwitterBrasil.org e autora de um Trabalho de Conclusão de Curso sobre interação no serviço. “Você vira um filtro de informações. Pessoas interessadas no mesmo assunto que você o seguem, pois você publica informações selecionadas e instantâneas (veja mais na pág. L7). Fora isso, há discussões, observações…”, completa.
“Twitteiro” mais seguido atualmente no Brasil (por 14 mil pessoas), o blogueiro e apresentador de TV Marcelo Tas, por exemplo, comporta-se assim. “Uso o Twitter o tempo todo, diariamente, para disparar e capturar informação. É uma ferramenta ultraveloz, compacta e precisa.” Os maiores veículos de comunicação, também. “Mesmo que seja um público ainda pequeno, onde as pessoas procuram informação, vamos atrás”, diz o diretor de Comunicação da TV Globo, Luis Erlanger. A emissora “twitta” bastidores.
Por conta desse perfil, de produção e recepção de informações, não é de se estranhar que a maioria dos usuários do Twitter também mantenha blogs. De acordo com a pesquisa de Raquel Recuero e Gabriela, 80% dos usuários entrevistados têm blogs. Outro estudo, realizado nos EUA pela consultoria Pew Internet Research, aponta que 11% dos internautas do país estão no Twitter. Ao mesmo tempo, 13% dos usuários da web mantém blogs.
“Isso não é à toa. Quem está no Twitter são pessoas interessadas em comunicação online, com interesses bem específicos e mais velhas (a média de idade levantada pela pesquisa é de 31 anos)”, diz a gerente de análises do Pew, Suzannah Fox. “A relação entre blogs e Twitter tem tudo a ver. As pessoas já estão acostumadas a publicar.”
Mas o Twitter quer ir além. Um dos criadores, Jack Dorsey, afirma que, aos poucos, o serviço sai do nicho e chega à massa. “A aposta é na presença cada vez maior de pessoas conhecidas para serem chamarizes”, disse ao Link (veja na pág. 10).
Mas isso pode depender de vários fatores, diz Raquel Recuero. “Os early adopters lançam tendências em redes sociais. Mas o Twitter não se parece com nenhum serviço criado até hoje. É difícil prever se acontecerá o mesmo que ocorreu com o Orkut (veja mais na pág. L7).”
Fonte: LINK
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